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 A nefrologista Flora Vaz, da Clínica de Doenças Renais (CDR), recomenda a adoção de hábitos saudáveis que possam reduzir o risco de pressão arterial alta e diabetes e, dessa forma, também evitar o risco de desenvolver a doença renal crônica (DRC). A especialista também alerta pra os riscos de uma gravidez em paciente portadora de insuficiência renal crônica, revela em qual sexo a doença é maior prevalente e garante que, para transplante, não há distinção de gênero do doador, mas unicamente questões técnicas como compatibilidade, por exemplo. Veja, a seguir, a entrevista da especialista.


A manifestação da doença renal crônica é igual entre homens e mulheres?

No momento, no sistema público, conforme dados publicados no KDIGO, 195 milhões de mulheres são acometidas por doença renal e 600 mil delas morrem a cada ano, tornando-se a oitava causa de morte entre as mulheres. O risco de desenvolvimento da DRC (doença renal crônica) é de 14% de prevalência em mulheres e 12% nos homens. A manifestação da doença é semelhante em ambos os sexos quando em fase terminal, porém a doença de base em cada sexo tem um curso peculiar.

Quais os principais fatores que provocam insuficiência renal na mulher?

As principais doenças são Lupus Eritematoso Sistêmico (que é uma doença autoimune) e infecções do trato urinário baixo ou alto (pielonefrite).

Há diferença no tratamento das mulheres?

Não existe diferença no tratamento diante da diferença dos sexos. A não ser pelas demandas de um tratamento individualizado, que são inerentes a cada ser humano, independente de gênero. 

Os rins da mulher são mais expostos a riscos?

De uma forma geral não, mas os homens estaticamente se expõem mais a hábitos e estilo de vida que degradam sua saúde, como tabagismo e etilismo.  

A mulher portadora de doença renal crônica pode receber um rim de doador do sexo masculino? O oposto também é possível?

Claro que sim! Não se leva em consideração durante a disponibilização de um órgão o gênero do doador e sim a compatibilidade imunológica e o sistema ABO.

Há em Alagoas, ou nos serviços de atendimento do grupo (a CDR e o Instituto Ribamar Vaz) mais mulheres ou homens em diálise?

Temos mais homens em TRS (terapia renal substitutiva) em Alagoas e no mundo, segundo a SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), por ter uma progressão da DRC mais rápida e uma descoberta já em iminência de hemodiálise ou diálise peritoneal. Isso se deve ao fato do homem não ter ainda o mesmo cuidado com sua saúde como a mulher tem com a dela.

Quais os principais cuidados que devem ser adotados pelas mulheres na prevenção de problemas renais?

Não há cuidados específicos, porém qualquer forma de mudança de estilo de vida, como boa ingesta hídrica, alimentação saudável com baixo teor de sal e açúcar, bem como exercícios físicos, diminuem o risco de inúmeras doenças crônicas, dentre elas pressão arterial elevada e diabetes, que são as principais causas da DRC na população em geral no mundo.

A portadora de doença renal crônica pode engravidar? Quais os riscos que corre nesse caso? Que cuidados devem ser adotados? A criança pode nascer com distúrbios?

A DRC diminui significativamente a fertilidade da paciente. Uma gravidez na paciente com DRC pode trazer riscos tanto para mãe quanto para o bebê, principalmente por aumentar os níveis pressóricos da mãe, pelo risco de proteinúria e pré-eclâmpsia, bem como hemorragia no parto e má implantação da placenta. Porém, a concepção é possível com planejamento familiar e consultas frequentes com o nefrologista e o obstetra. 

Durante a gravidez há maior risco de problemas renais?

Nesse período há uma acomodação natural dos órgãos da mulher para que o feto possa crescer e se nutrir. Com os rins não é diferente. Pela compressão natural que todo o sistema urinário recebe do útero, ocorre mais infecções urinárias do que em qualquer outra fase da vida da mulher, além dos aumentos pressóricos em algumas pacientes.

Após a menopausa também há maior risco de problemas renais?

Após a menopausa não há um risco característico que aumente a incidência da DRC na mulher, mas é nessa fase que há uma maior prevalência de doenças crônicas, que levam a disfunção renal, como HAS, DM e neoplasias ligadas aos órgãos femininos.

 

 

 

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Médico nefrologista Osmar Monteiro recomenda pacientes com obesidade a busca ajuda médica e de outros profissionais da saúde para tratar e evitar possíveis complicações no futuro, entre elas a doença renal crônica

A obesidade é um grande fator de risco para o diabetes e a hipertensão arterial, doenças responsáveis pela maioria dos casos de insuficiência renal crônica. O alerta é do médico nefrologista Osmar Monteiro, da Clínica de Doenças Renais (CDR).

Ele considera, por isso, importante que a Sociedade Internacional de Nefrologia tenha definido como tema central de abordagem para o Dia Mundial do Rim em 2017 – que será em 7 de março -  a relação entre obesidade e doença renal.

A seguir, Monteiro dá mais detalhes sobre a relação entre obesidade e doença renal.

Casos de obesidade estão aumentando?

Sim. A obesidade tem aumentado de modo alarmante nas últimas décadas. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso, na faixa de sobrepeso e obesidade. Ainda mais preocupante é a observação cada vez mais frequente de obesidade em crianças e adolescentes.  Estima-se que em 2025 haverá, no país, em torno de 11,3 milhões crianças com excesso de peso.

Como identificar a obesidade?

Do ponto de vista prático, classifica-se a obesidade pelo índice de massa corporal (IMC), bastando dividir o peso em kg pelo quadrado da altura em metros (m2). Considera-se normal um IMC entre 18,5 e 24,9; sobrepeso entre 25 e 30 e, obesidade quando acima de 30 Kg/m2.

Por que a preocupação com a obesidade? Seria apenas uma questão estética?

Não, longe disso. A obesidade está associada a uma série de complicações musculoesqueléticas, neoplásicas, metabólicas e cardiovasculares, dentre as quais se destacam o diabetes mellitus tipo 2 e a hipertensão arterial sistêmica.

A obesidade pode levar ao diabetes e à hipertensão?

A relação da obesidade com o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e com a hipertensão arterial é há muito conhecida. Bem como a lesão renal que estas duas doenças causam.  Pois são elas as responsáveis pela grande maioria dos pacientes em terapia renal substitutiva, como a hemodiálise, dialise peritoneal e transplante renal no mundo.

Obesos são mais expostos ao risco de doença renal?

Do ponto de vista nefrológico, a obesidade é um fator de risco isolado para o desenvolvimento e progressão da doença renal crônica (DRC), pois pode cursar com alterações hemodinâmicas renais, lesão glomerular e acelerar a evolução de glomerulopatias preexistentes.

Como prevenir?

Muitas das complicações causadas pelo excesso de peso são, no início, silenciosas. Portanto o acompanhamento médico é fundamental. A identificação precoce e o combate à obesidade constituem armas poderosas na prevenção primária e secundária da doença renal crônica. E a ajuda dos profissionais da saúde, em particular, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, pode facilitar essa luta. Todos, desde a infância, devemos buscar um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada e atividade física regular.

 

 

 

Hemo50

Novos pacientes com insuficiência renal crônica não têm onde se tratar e quem está em hemodiálise corre o risco de ficar sem atendimento se as unidades fecharem as portas, como teme a presidente da SBN/AL

A presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) secção de Alagoas, Ana Katarina, disse que a crise no setor de hemodiálise se aprofundou em Alagoas e responsabiliza as autoridades das três esferas de governo por possíveis fechamentos de clínicas e agravamento da saúde de portadores de insuficiência renal crônica sem atendimento.

Essa situação, segundo ela, já é realidades para novos pacientes, que não conseguem vagas nas unidades e recorrem ao Hospital Geral do Estado (HGE). “Só que lá (no HGE) só há uma hemodializadora e não dá para atender a todos como se fosse num serviço convencional’, disse.

- O serviço social do HGE tenta encaminhar esses pacientes para as clínicas de hemodiálise, mas não conseguem porque não há vagas. Nenhum serviço em Alagoas vai abrir novas vagas, porque não seriam remunerados e teriam de assumir sozinhos os custos, já que os governos não autorizam novos custos – acrescentou.

Ela até faz um desafio: “quem tiver alguma dúvida disso, basta telefonar para as clínicas de hemodiálise em Alagoas, se identificar como um novo portador de insuficiência renal crônica e perguntar se há vaga!”

Risco anunciado - Desde o início do ano a dirigente classista vem alertando para o risco do fechamento de clínicas de hemodiálise em Alagoas e a situação de novos pacientes renais crônicos. Com remuneração de apenas R$ 179,03 por sessão e congelamento desse valor há mais de três anos, as clínicas amargam prejuízos diários no atendimento de seus pacientes.

Ana Katarina também criticou a falta de mobilização da Associação dos Renais Crônicos de Alagoas, que, em sua opinião, deveria denunciar a situação à sociedade e tentar juntamente com outros setores envolvidos pressionar os governos por uma solução.

- Há um número crescente de novos pacientes renais crônicos e o risco iminente de fechamento de clínicas de hemodiálise, com graves consequências para todos, e a entidade sequer se manifesta. Se ao menos promovesse um ato, com certeza nos apoiaríamos e estaríamos presentes – disse ela.

A presidente da SBN/AL lembrou que além desse risco relacionado ao fim dos serviços, há ainda a falta de medicamentos para os pacientes. O Problema atinge também portadores de outras patologias, tanto que recentemente portadores de diabetes e seus familiares realizaram um protesto na Farmácia de Medicamentos Excepcionais (Farmex) da Secretaria de Saúde. “Não vejo essa iniciativa por parte dos renais crônicos”, acrescentou.

Ela defende também que os dirigentes dos serviços de hemodiálise se mobilizem, atendendo os chamamento da SBN/AL. “É importante que participem das reuniões que temos buscado com entidades como o Ministério Público e os próprios gestores da saúde. Se também não pressionarmos, o pior vai acontecer”.

Remuneração insuficiente - O agravamento da crise é crescente e, em sua avaliação, está muito próximo de um quadro de insolvência das unidades e  de risco de morte para pacientes. “Uma boa medida do quanto essa crise é crescente, é que o atendimento em diálise peritoneal pode ser suspenso a qualquer momento por falta de recursos para pagar aos fornecedores”.

A diálise peritoneal ambulatorial contínua, CAPD na sigla em inglês, filtra o sangue e remove fluidos excedentes usando um dos filtros naturais do próprio corpo, a membrana peritoneal. Nesse tipo de tratamento, o paciente faz o procedimento em casa e só comparece periodicamente ao serviço.

- Mas o que está sendo pago pelo gestor não banca sequer o material gasto no atendimento, imagine os demais custos. Nenhum serviço tem condições de pagar para atender.

Ana Katarina disse alimentar expectativa de que alguma ação mobilizadora mais efetiva possa ser decidida no Congresso Brasileiro de Nefrologia que será realizado em Maceió de 14 a 17 de setembro. “Já temos mais de duas mil inscrições e levaremos à pauta das discussões essa situação, que, embora seja profundamente agravada em Alagoas, também atinge as unidades de hemodiálises de todo o país”, disse.

Em nível de SBN nacional já há uma comissão que tenta encontrar uma solução junto ao governo federal. Em nível local, Ana Katarina disse que já manteve reuniões com os gestores e leou a situação ao Ministério Público, mas ainda não houve qualquer avanço nas discussões e tampouco alguma providência foi tomada.

- Enquanto isso, as unidades caminham para a quebradeira e os renais crônicos para o agravamento de seus quadros com possibilidade seríssimas de desdobramentos nefastos – acrescentou.

 

 

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