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Osmar Monteiro se mostra otimista quanto ao crescimento do número de transplantes renais este ano e exalta o trabalho de captação de órgãos realizado pela Central de Transplantes de Alagoas

 

O médico nefrologista Osmar Monteiro, da Clínica de Doenças Renais (CDR) e Instituto Ribamar Vaz (IRV), comemora o aumento no número de transplantes renais entre o final de 2017 e abril deste ano nas duas instituições. Contando a partir de novembro, foram dez transplantes, número que considera bom em relação a períodos anteriores.

Um detalhe animador, segundo ele, é que todos foram feitos a partir de doador cadáver.

A que se deve esse aumento no número de transplante renal na CDR e IRB?

Deve-se, sem dúvidas, à incansável ação da Organização de Procura de Órgãos e tecidos (OPO), principalmente no HGE. Graças à sua importante atuação, somada a colaboração das equipes médicas e de enfermagem na identificação, estabilização e confirmação diagnóstica dos possíveis doadores.

Mas as famílias desses doadores também devem ter contribuído autorizando a retirada dos órgãos...

Sim. Nesse aspecto, é importante ressaltar o trabalho da OPO junto aos familiares de pacientes com morte cerebral, inclusive porque, segundo pesquisa divulgada no ano passado, Alagoas estava entre os Estados em que as famílias menos autorizam doação de órgão de seus entes. Mas ainda assim, diante dessa adversidade, o trabalho desenvolvido por eles vem surtindo efeito.

Os pacientes que receberam novo rim estão, então, livres da doença renal crônica?

Não é bem assim. Muitos pacientes portadores de insuficiência renal crônica acham que o transplante de rim é a cura para eles. Não é. O transplante, na verdade, é o melhor tratamento, a única forma de se livrar das sessões de diálise e ter uma vida mais próxima do normal possível, com o organismo funcionando melhor, voltar a comer e beber normalmente, restabelecer sua liberdade de ir e vir de uma cidade para outra e poder trabalhar. Mas jamais será um paciente completamente sadio, porque continuará com a doença de base que originou a insuficiência renal.

Então, o que eles devem fazer?

Todos os transplantados renais devem se submeter ao tratamento prescrito pelo médico. Se for hipertenso, terá de controlar sua pressão; se for diabético, terá de manter seus níveis glicêmicos, seguir a dieta estabelecida etc. Caso contrário, a durabilidade do rim transplantado diminui. Com a adoção das recomendações médicas, o transplantado tem uma qualidade de vida muito melhor e aumento da sobrevida.

Além desses dez pacientes, a CDR e o IRV têm quantos candidatos a transplante renal?

A CDR e o IRV têm hoje, juntos, 162 pacientes candidatos prontos para receber doação de rim. Outros 276 pacientes são também candidatos, mas estão em fase de ativação das condições necessárias para passar por uma cirurgia de transplante.

Há pacientes cadastrados em outros estados? Se sim, por que?

Sim. Há uma porcentagem significativa de pacientes renais crônicos em Alagoas inscritos em filas de transplante de outros Estados. Isso acontece por diversas razões. Uma delas, é que em alguns casos o paciente precisa, além do rim, também do pâncreas, ou do rim e do fígado... É o transplante duplo, que ainda não é realizado aqui em Alagoas. Esses pacientes, por isso, se inscrevem em listas de candidatos de outros Estados. Outra, são os pacientes portadores de HIV, cujo transplante também não fazemos aqui. E a maior parte são os pacientes que se cadastraram em outros Estados por entender que neles a fila anda mais rápido e com isso têm mais chances de receber um rim.

Quem sabe no futuro não será Alagoas a receber pacientes de outros Estados? Por mais gratificante que seja ver essa evolução no número de transplantes, há muito trabalho a ser feito… e ele continua.

 

 

 

 

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 A nefrologista Flora Vaz, da Clínica de Doenças Renais (CDR), recomenda a adoção de hábitos saudáveis que possam reduzir o risco de pressão arterial alta e diabetes e, dessa forma, também evitar o risco de desenvolver a doença renal crônica (DRC). A especialista também alerta pra os riscos de uma gravidez em paciente portadora de insuficiência renal crônica, revela em qual sexo a doença é maior prevalente e garante que, para transplante, não há distinção de gênero do doador, mas unicamente questões técnicas como compatibilidade, por exemplo. Veja, a seguir, a entrevista da especialista.


A manifestação da doença renal crônica é igual entre homens e mulheres?

No momento, no sistema público, conforme dados publicados no KDIGO, 195 milhões de mulheres são acometidas por doença renal e 600 mil delas morrem a cada ano, tornando-se a oitava causa de morte entre as mulheres. O risco de desenvolvimento da DRC (doença renal crônica) é de 14% de prevalência em mulheres e 12% nos homens. A manifestação da doença é semelhante em ambos os sexos quando em fase terminal, porém a doença de base em cada sexo tem um curso peculiar.

Quais os principais fatores que provocam insuficiência renal na mulher?

As principais doenças são Lupus Eritematoso Sistêmico (que é uma doença autoimune) e infecções do trato urinário baixo ou alto (pielonefrite).

Há diferença no tratamento das mulheres?

Não existe diferença no tratamento diante da diferença dos sexos. A não ser pelas demandas de um tratamento individualizado, que são inerentes a cada ser humano, independente de gênero. 

Os rins da mulher são mais expostos a riscos?

De uma forma geral não, mas os homens estaticamente se expõem mais a hábitos e estilo de vida que degradam sua saúde, como tabagismo e etilismo.  

A mulher portadora de doença renal crônica pode receber um rim de doador do sexo masculino? O oposto também é possível?

Claro que sim! Não se leva em consideração durante a disponibilização de um órgão o gênero do doador e sim a compatibilidade imunológica e o sistema ABO.

Há em Alagoas, ou nos serviços de atendimento do grupo (a CDR e o Instituto Ribamar Vaz) mais mulheres ou homens em diálise?

Temos mais homens em TRS (terapia renal substitutiva) em Alagoas e no mundo, segundo a SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), por ter uma progressão da DRC mais rápida e uma descoberta já em iminência de hemodiálise ou diálise peritoneal. Isso se deve ao fato do homem não ter ainda o mesmo cuidado com sua saúde como a mulher tem com a dela.

Quais os principais cuidados que devem ser adotados pelas mulheres na prevenção de problemas renais?

Não há cuidados específicos, porém qualquer forma de mudança de estilo de vida, como boa ingesta hídrica, alimentação saudável com baixo teor de sal e açúcar, bem como exercícios físicos, diminuem o risco de inúmeras doenças crônicas, dentre elas pressão arterial elevada e diabetes, que são as principais causas da DRC na população em geral no mundo.

A portadora de doença renal crônica pode engravidar? Quais os riscos que corre nesse caso? Que cuidados devem ser adotados? A criança pode nascer com distúrbios?

A DRC diminui significativamente a fertilidade da paciente. Uma gravidez na paciente com DRC pode trazer riscos tanto para mãe quanto para o bebê, principalmente por aumentar os níveis pressóricos da mãe, pelo risco de proteinúria e pré-eclâmpsia, bem como hemorragia no parto e má implantação da placenta. Porém, a concepção é possível com planejamento familiar e consultas frequentes com o nefrologista e o obstetra. 

Durante a gravidez há maior risco de problemas renais?

Nesse período há uma acomodação natural dos órgãos da mulher para que o feto possa crescer e se nutrir. Com os rins não é diferente. Pela compressão natural que todo o sistema urinário recebe do útero, ocorre mais infecções urinárias do que em qualquer outra fase da vida da mulher, além dos aumentos pressóricos em algumas pacientes.

Após a menopausa também há maior risco de problemas renais?

Após a menopausa não há um risco característico que aumente a incidência da DRC na mulher, mas é nessa fase que há uma maior prevalência de doenças crônicas, que levam a disfunção renal, como HAS, DM e neoplasias ligadas aos órgãos femininos.

 

 

 

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Médico nefrologista Osmar Monteiro recomenda pacientes com obesidade a busca ajuda médica e de outros profissionais da saúde para tratar e evitar possíveis complicações no futuro, entre elas a doença renal crônica

A obesidade é um grande fator de risco para o diabetes e a hipertensão arterial, doenças responsáveis pela maioria dos casos de insuficiência renal crônica. O alerta é do médico nefrologista Osmar Monteiro, da Clínica de Doenças Renais (CDR).

Ele considera, por isso, importante que a Sociedade Internacional de Nefrologia tenha definido como tema central de abordagem para o Dia Mundial do Rim em 2017 – que será em 7 de março -  a relação entre obesidade e doença renal.

A seguir, Monteiro dá mais detalhes sobre a relação entre obesidade e doença renal.

Casos de obesidade estão aumentando?

Sim. A obesidade tem aumentado de modo alarmante nas últimas décadas. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso, na faixa de sobrepeso e obesidade. Ainda mais preocupante é a observação cada vez mais frequente de obesidade em crianças e adolescentes.  Estima-se que em 2025 haverá, no país, em torno de 11,3 milhões crianças com excesso de peso.

Como identificar a obesidade?

Do ponto de vista prático, classifica-se a obesidade pelo índice de massa corporal (IMC), bastando dividir o peso em kg pelo quadrado da altura em metros (m2). Considera-se normal um IMC entre 18,5 e 24,9; sobrepeso entre 25 e 30 e, obesidade quando acima de 30 Kg/m2.

Por que a preocupação com a obesidade? Seria apenas uma questão estética?

Não, longe disso. A obesidade está associada a uma série de complicações musculoesqueléticas, neoplásicas, metabólicas e cardiovasculares, dentre as quais se destacam o diabetes mellitus tipo 2 e a hipertensão arterial sistêmica.

A obesidade pode levar ao diabetes e à hipertensão?

A relação da obesidade com o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e com a hipertensão arterial é há muito conhecida. Bem como a lesão renal que estas duas doenças causam.  Pois são elas as responsáveis pela grande maioria dos pacientes em terapia renal substitutiva, como a hemodiálise, dialise peritoneal e transplante renal no mundo.

Obesos são mais expostos ao risco de doença renal?

Do ponto de vista nefrológico, a obesidade é um fator de risco isolado para o desenvolvimento e progressão da doença renal crônica (DRC), pois pode cursar com alterações hemodinâmicas renais, lesão glomerular e acelerar a evolução de glomerulopatias preexistentes.

Como prevenir?

Muitas das complicações causadas pelo excesso de peso são, no início, silenciosas. Portanto o acompanhamento médico é fundamental. A identificação precoce e o combate à obesidade constituem armas poderosas na prevenção primária e secundária da doença renal crônica. E a ajuda dos profissionais da saúde, em particular, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, pode facilitar essa luta. Todos, desde a infância, devemos buscar um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada e atividade física regular.

 

 

 

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