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Médico nefrologista Osmar Monteiro recomenda pacientes com obesidade a busca ajuda médica e de outros profissionais da saúde para tratar e evitar possíveis complicações no futuro, entre elas a doença renal crônica

A obesidade é um grande fator de risco para o diabetes e a hipertensão arterial, doenças responsáveis pela maioria dos casos de insuficiência renal crônica. O alerta é do médico nefrologista Osmar Monteiro, da Clínica de Doenças Renais (CDR).

Ele considera, por isso, importante que a Sociedade Internacional de Nefrologia tenha definido como tema central de abordagem para o Dia Mundial do Rim em 2017 – que será em 7 de março -  a relação entre obesidade e doença renal.

A seguir, Monteiro dá mais detalhes sobre a relação entre obesidade e doença renal.

Casos de obesidade estão aumentando?

Sim. A obesidade tem aumentado de modo alarmante nas últimas décadas. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso, na faixa de sobrepeso e obesidade. Ainda mais preocupante é a observação cada vez mais frequente de obesidade em crianças e adolescentes.  Estima-se que em 2025 haverá, no país, em torno de 11,3 milhões crianças com excesso de peso.

Como identificar a obesidade?

Do ponto de vista prático, classifica-se a obesidade pelo índice de massa corporal (IMC), bastando dividir o peso em kg pelo quadrado da altura em metros (m2). Considera-se normal um IMC entre 18,5 e 24,9; sobrepeso entre 25 e 30 e, obesidade quando acima de 30 Kg/m2.

Por que a preocupação com a obesidade? Seria apenas uma questão estética?

Não, longe disso. A obesidade está associada a uma série de complicações musculoesqueléticas, neoplásicas, metabólicas e cardiovasculares, dentre as quais se destacam o diabetes mellitus tipo 2 e a hipertensão arterial sistêmica.

A obesidade pode levar ao diabetes e à hipertensão?

A relação da obesidade com o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e com a hipertensão arterial é há muito conhecida. Bem como a lesão renal que estas duas doenças causam.  Pois são elas as responsáveis pela grande maioria dos pacientes em terapia renal substitutiva, como a hemodiálise, dialise peritoneal e transplante renal no mundo.

Obesos são mais expostos ao risco de doença renal?

Do ponto de vista nefrológico, a obesidade é um fator de risco isolado para o desenvolvimento e progressão da doença renal crônica (DRC), pois pode cursar com alterações hemodinâmicas renais, lesão glomerular e acelerar a evolução de glomerulopatias preexistentes.

Como prevenir?

Muitas das complicações causadas pelo excesso de peso são, no início, silenciosas. Portanto o acompanhamento médico é fundamental. A identificação precoce e o combate à obesidade constituem armas poderosas na prevenção primária e secundária da doença renal crônica. E a ajuda dos profissionais da saúde, em particular, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, pode facilitar essa luta. Todos, desde a infância, devemos buscar um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada e atividade física regular.

 

 

 

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Ana Katarina diz que o valor pago pelo Poder Público pelas sessões de hemodiálise é o mais baixo das Américas e está congelado há mais de dois anos. "Não há como receber novos pacientes" 

As clínicas de hemodiálise atravessam grave crise em Alagoas e algumas podem até fechar as portas. O alerta é da médica nefrologista Ana Katarina, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) secção de Alagoas, que aponta a política de remuneração do Poder Público para as sessões de hemodiálise e limitação do teto de atendimento de pacientes como causa da situação.

Segundo ela, o valor pago por sessão de hemodiálise – R$ 179,03 – está congelado há mais de três anos, “enquanto materiais, medicamentos e insumos utilizados nos procedimentos, a maioria importados, sofreram reajustes com a valorização do dólar e, ainda, nesse período houve aumento das tarifas de energia, água e folha de pessoal”.

- Nos temos – disse – aqui no Brasil o menor valor de remuneração da sessão de diálise nas Américas. Não estou querendo comparar com o valor pago às clínicas dos Estados Unidos, estou apenas querendo fazer um paralelo com os outros países americanos, principalmente das Américas Central e do Sul, onde ficamos na última posição nesse ranking.

Risco de “quebradeira” - Ana Katarina traçou um quadro bastante sombrio para os serviços de nefrologia. “Em vários Estados, diversos serviços ‘quebraram’ e não descartamos que o mesmo aconteça aqui em Alagoas. Felizmente ainda não aconteceu, mas se não houver uma mudança da política de remuneração dos serviços, certamente isso acontecerá”, disse.

Ela citou o quadro econômico e de dificuldades do momento e a intenção do governo federal em promover cortes no financiamento para a rede pública – seriam cerca de R$ 30 milhões ao todo para a saúde em geral – como fatores que se somam e tornam mais difícil a situação dos centros de diálise.

“A Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Associação Brasileira das Clínicas de Diálise e Transplante (ABCDT) elaboraram uma planilha que aponta como custo real atualizado para a sessão de hemodiálise o valor de R$ 256,98. É isso que o Poder Público deveria pagar às clínicas e ainda promover um aumento do teto para atendimento de paciente em cada unidade. Essas seriam as saídas para tirar do vermelho os serviços de nefrologia”, disse ela.

O teto atualmente estabelecido em Alagoas é outro grande problema para as unidades de hemodiálise e para os novos pacientes portadores de doença renal crônica. “Veja só: o número de doentes renais crônicos triplicou nos últimos 20 anos, mas o atendimento de hemodiálise aumentou apenas 34% nesse mesmo período. Então, é de se perguntar: onde estão esses novos pacientes renais crônicos?” – questiona ela.

A dirigente da SBN/AL não descarta a possibilidade de que muitos deles estejam morrendo em busca de atendimento. “Dia 13 deste mês – acrescentou – foi concedido um aumento mais que insuficiente do teto de atendimento em Maceió. Foi de apenas cerca de R$ 800 mil/ano. Ora, isso dá apenas R$ 60 mil/mês, que só da para atender mais 23 pacientes em diálise.  É muito aquém do número de doentes renais crônicos que surgem a cada dia”.

Teto irreal - Para ilustrar a distância entre os recursos que o Poder Público recém-destinou para elevação do teto de atendimento e a demanda de novos doentes, Ana Katarina citou o caso do município alagoano de São Miguel dos Campos. “Foi um aumento equivalente ao acréscimo de um paciente e meio, coisa que, evidentemente, está muito longe da realidade”.

Um dos resultados visíveis dessa situação, segundo ela, é que o Hospital Geral do Estado recebe todos os dias portadores de doença renal crônica e não tem como atendê-los ou encaminhar para uma clínica, uma vez que o teto para atendimento já está extrapolado. “As unidades de hemodiálise não tem como receber novos pacientes”, disse.

- Além de todas elas já terem até ultrapassado o teto estabelecido pelo Poder Público para atendimento de pacientes renais crônicos, o que significa atender sem ser remunerada, estão todas mergulhadas na crise em função da defasagem do valor que recebem – disse.

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O número de portadores de insuficiência renal crônica triplicou nos últimos três anos, segundo Katarina, mas a oferta de serviços cresceu nesse período pouco mais de 30%. "Onde estão esses novos pacientes renais crônicos", questiona

Por orientação da SBN, as representações regionais da entidade estão tentando obter apoios dos governos estaduais e municipais, para complementação alternativa da remuneração dos serviços prestados pelas unidades hemodializadoras – uma vez que os recursos financeiros são destinados unicamente pelo governo federal.

- Estamos buscando algum tipo de incentivo, como por exemplo reduzir o percentual pago no ISS, no caso dos municípios, ou redução dos tributos incidentes na conta de energia e de água, no caso dos Estados. Ou ainda outras soluções – explicou.

Ela contou que essa luta conta com o apoio da Associação dos Pacientes Renais Crônicos de Alagoas, cujo presidente, José Wilton, é integrante do Conselho Municipal de Saúde. “Já nos reunimos uma vez e voltaremos a nos reunir, após a elaboração de um levantamento técnico com todas as clínicas e confecção de uma proposta. Tentaremos os apoios dos nossos governantes”.

 

 

 

 

 

 

 

 

As clínicas de hemodiálise atravessam grave crise em Alagoas e algumas podem até fechar as portas. O alerta é da médica nefrologista Ana Katarina, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) secção de Alagoas, que aponta a política de remuneração do Poder Público para as sessões de hemodiálise e limitação do teto de atendimento de pacientes como causa da situação.

Segundo ela, o valor pago por sessão de hemodiálise – R$ 179,03 – está congelado há mais de três anos, “enquanto materiais, medicamentos e insumos utilizados nos procedimentos, a maioria importados, sofreram reajustes com a valorização do dólar e, ainda, nesse período houve aumento das tarifas de energia, água e folha de pessoal”.

- Nos temos – disse – aqui no Brasil o menor valor de remuneração da sessão de diálise nas Américas. Não estou querendo comparar com o valor pago às clínicas dos Estados Unidos, estou apenas querendo fazer um paralelo com os outros países americanos, principalmente das Américas Central e do Sul, onde ficamos na última posição nesse ranking.

Ana Katarina traçou um quadro bastante sombrio para os serviços de nefrologia. “Em vários Estados, diversos serviços ‘quebraram’ e não descartamos que o mesmo aconteça aqui em Alagoas. Felizmente ainda não aconteceu, mas se não houver uma mudança da política de remuneração dos serviços, certamente isso acontecerá”, disse.

Ela citou o quadro econômico e de dificuldades do momento e a intenção do governo federal em promover cortes no financiamento para a rede pública – seriam cerca de R$ 30 milhões ao todo para a saúde em geral – como fatores que se somam e tornam mais difícil a situação dos centros de diálise.

“A Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Associação Brasileira das Clínicas de Diálise e Transplante (ABCDT) elaboraram uma planilha que aponta como custo real atualizado para a sessão de hemodiálise o valor de R$ 256,98. É isso que o Poder Público deveria pagar às clínicas e ainda promover um aumento do teto para atendimento de paciente em cada unidade. Essas seriam as saídas para tirar do vermelho os serviços de nefrologia”, disse ela.

O teto atualmente estabelecido em Alagoas é outro grande problema para as unidades de hemodiálise e para os novos pacientes portadores de doença renal crônica. “Veja só: o número de doentes renais crônicos triplicou nos últimos 20 anos, mas o atendimento de hemodiálise aumentou apenas 34% nesse mesmo período. Então, é de se perguntar: onde estão esses novos pacientes renais crônicos?” – questiona ela.

A dirigente da SBN/AL não descarta a possibilidade de que muitos deles estejam morrendo em busca de atendimento. “Dia 13 deste mês – acrescentou – foi concedido um aumento mais que insuficiente do teto de atendimento em Maceió. Foi de apenas cerca de R$ 800 mil/ano. Ora, isso dá apenas R$ 60 mil/mês, que só da para atender mais 23 pacientes em diálise.  É muito aquém do número de doentes renais crônicos que surgem a cada dia”.

Para ilustrar a distância entre os recursos que o Poder Público recém-destinou para elevação do teto de atendimento e a demanda de novos doentes, Ana Katarina citou o caso do município alagoano de São Miguel dos Campos. “Foi um aumento equivalente ao acréscimo de um paciente e meio, coisa que, evidentemente, está muito longe da realidade”.

Um dos resultados visíveis dessa situação, segundo ela, é que o Hospital Geral do Estado recebe todos os dias portadores de doença renal crônica e não tem como atende-los ou encaminhar para uma clínica, uma vez que o teto para atendimento já está extrapolado. “As unidades de hemodiálise não tem como receber novos pacientes”, disse.

- Além de todas elas já terem até ultrapassado o teto estabelecido pelo Poder Público para atendimento de pacientes renais crônicos, o que significa atender sem ser remunerada, estão todas mergulhadas na crise em função da defasagem do valor que recebem – disse.

Por orientação da SBN, as representações regionais da entidade estão tentando obter apoios dos governos estaduais e municipais, para complementação alternativa da remuneração dos serviços prestados pelas unidades hemodializadoras – uma vez que os recursos financeiros são destinados unicamente pelo governo federal.

- Estamos buscando algum tipo de incentivo, como por exemplo reduzir o percentual pago no ISS, no caso dos municípios, ou redução dos tributos incidentes na conta de energia e de água, no caso dos Estados. Ou ainda outras soluções – explicou.

Ela contou que essa luta conta com o apoio da Associação dos Pacientes Renais Crônicos de Alagoas, cujo presidente, José Wilton, é integrante do Conselho Municipal de Saúde. “Já nos reunimos uma vez e voltaremos a nos reunir, após a elaboração de um levantamento técnico com todas as clínicas e confecção de uma proposta. Tentaremos os apoios dos nossos governantes”.

 

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Novos pacientes com insuficiência renal crônica não têm onde se tratar e quem está em hemodiálise corre o risco de ficar sem atendimento se as unidades fecharem as portas, como teme a presidente da SBN/AL

A presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) secção de Alagoas, Ana Katarina, disse que a crise no setor de hemodiálise se aprofundou em Alagoas e responsabiliza as autoridades das três esferas de governo por possíveis fechamentos de clínicas e agravamento da saúde de portadores de insuficiência renal crônica sem atendimento.

Essa situação, segundo ela, já é realidades para novos pacientes, que não conseguem vagas nas unidades e recorrem ao Hospital Geral do Estado (HGE). “Só que lá (no HGE) só há uma hemodializadora e não dá para atender a todos como se fosse num serviço convencional’, disse.

- O serviço social do HGE tenta encaminhar esses pacientes para as clínicas de hemodiálise, mas não conseguem porque não há vagas. Nenhum serviço em Alagoas vai abrir novas vagas, porque não seriam remunerados e teriam de assumir sozinhos os custos, já que os governos não autorizam novos custos – acrescentou.

Ela até faz um desafio: “quem tiver alguma dúvida disso, basta telefonar para as clínicas de hemodiálise em Alagoas, se identificar como um novo portador de insuficiência renal crônica e perguntar se há vaga!”

Risco anunciado - Desde o início do ano a dirigente classista vem alertando para o risco do fechamento de clínicas de hemodiálise em Alagoas e a situação de novos pacientes renais crônicos. Com remuneração de apenas R$ 179,03 por sessão e congelamento desse valor há mais de três anos, as clínicas amargam prejuízos diários no atendimento de seus pacientes.

Ana Katarina também criticou a falta de mobilização da Associação dos Renais Crônicos de Alagoas, que, em sua opinião, deveria denunciar a situação à sociedade e tentar juntamente com outros setores envolvidos pressionar os governos por uma solução.

- Há um número crescente de novos pacientes renais crônicos e o risco iminente de fechamento de clínicas de hemodiálise, com graves consequências para todos, e a entidade sequer se manifesta. Se ao menos promovesse um ato, com certeza nos apoiaríamos e estaríamos presentes – disse ela.

A presidente da SBN/AL lembrou que além desse risco relacionado ao fim dos serviços, há ainda a falta de medicamentos para os pacientes. O Problema atinge também portadores de outras patologias, tanto que recentemente portadores de diabetes e seus familiares realizaram um protesto na Farmácia de Medicamentos Excepcionais (Farmex) da Secretaria de Saúde. “Não vejo essa iniciativa por parte dos renais crônicos”, acrescentou.

Ela defende também que os dirigentes dos serviços de hemodiálise se mobilizem, atendendo os chamamento da SBN/AL. “É importante que participem das reuniões que temos buscado com entidades como o Ministério Público e os próprios gestores da saúde. Se também não pressionarmos, o pior vai acontecer”.

Remuneração insuficiente - O agravamento da crise é crescente e, em sua avaliação, está muito próximo de um quadro de insolvência das unidades e  de risco de morte para pacientes. “Uma boa medida do quanto essa crise é crescente, é que o atendimento em diálise peritoneal pode ser suspenso a qualquer momento por falta de recursos para pagar aos fornecedores”.

A diálise peritoneal ambulatorial contínua, CAPD na sigla em inglês, filtra o sangue e remove fluidos excedentes usando um dos filtros naturais do próprio corpo, a membrana peritoneal. Nesse tipo de tratamento, o paciente faz o procedimento em casa e só comparece periodicamente ao serviço.

- Mas o que está sendo pago pelo gestor não banca sequer o material gasto no atendimento, imagine os demais custos. Nenhum serviço tem condições de pagar para atender.

Ana Katarina disse alimentar expectativa de que alguma ação mobilizadora mais efetiva possa ser decidida no Congresso Brasileiro de Nefrologia que será realizado em Maceió de 14 a 17 de setembro. “Já temos mais de duas mil inscrições e levaremos à pauta das discussões essa situação, que, embora seja profundamente agravada em Alagoas, também atinge as unidades de hemodiálises de todo o país”, disse.

Em nível de SBN nacional já há uma comissão que tenta encontrar uma solução junto ao governo federal. Em nível local, Ana Katarina disse que já manteve reuniões com os gestores e leou a situação ao Ministério Público, mas ainda não houve qualquer avanço nas discussões e tampouco alguma providência foi tomada.

- Enquanto isso, as unidades caminham para a quebradeira e os renais crônicos para o agravamento de seus quadros com possibilidade seríssimas de desdobramentos nefastos – acrescentou.

 

 

 

O médico nefrologista Warlisson Tenório, da Clínica de Doenças Renais (CDR) de Palmeiras do Índios, vê o quadro de transplante renal em Alagoas pior que em nível nacional, em razão de menor oferta de órgãos, dificuldades na captação de órgãos para doação e dificuldades estruturas das instituições.

Ele aponta, ainda, a hipertensão e o diabetes como as principais doenças que têm provocado insuficiência renal crônica em pacientes da região da Palmeira dos Índios, no agreste alagoano, e vê como ainda muito pequeno o número de pacientes da CDR atendidos com o recebimento de um novo rim – apenas quatro, até agora.

Warlisson Tenório, ainda, faz recomendações sobre prevenção à doença renal crônica e conta quais são os procedimentos e cuidados que um paciente transplantado deve adotar após ganhar um novo rim. Veja, a seguir, sua entrevista na íntegra.

A quantidade de transplante renal na região de Palmeira dos Índios e próximas atende a demanda de candidatos ao órgão? É a esperada?

A cada ano aumenta o número de pessoas que aguardam em lista de espera por um rim para transplante. Em 2012, 19.889 portadores de doença renal crônica terminal estavam inscritos para transplante renal no Brasil. A Organização Mundial de Saúde estima que 40 pacientes por 100.000 habitantes/ano necessitam de transplante.

Em 2011, o número de pacientes em lista de espera em todo mundo era de 166.038 pacientes. Estima-se que aproximadamente 92.000 pacientes estão em diálise no Brasil, o que gera uma necessidade de 14.450 transplantes de rim por ano, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Dessa forma, os 5.385 transplantes renais realizados em 2012 correspondem a apenas 47% da demanda.

Em Palmeira dos Índios, assim como em Alagoas, esses números são ainda piores devido a uma menor oferta de órgãos, menor estrutura de captação de órgãos e uma restrição maior dos serviços aptos para realização dos transplantes.

Quais são os principais entraves e dificuldades para ampliar o número de transplantes renais?

A disparidade do número de órgãos doados em relação ao número de pacientes em lista de espera. De acordo com a ABTO, 40% dos potenciais doadores falecidos são doadores efetivos.

Há alguma campanha por doação de órgãos na região? Há alguma iniciativa?

A ABTO realiza inúmeros esforços para aumentar o número de transplantes efetivos com doadores falecidos por meio do aumento de doadores viáveis, aumento das notificações, da diminuição da taxa de recusa familiar e do aumento dos critérios de aceitabilidade dos órgãos.

Campanhas publicitárias são realizadas como forma de desmistificar a doação de órgãos e como forma de conscientização da população quanto à importância de doar órgãos. Essas campanhas são realizadas de forma unificadas e com abrangência nacional.

Como parentes de portadores de doença renal crônica reagem à possibilidade de doar um de seus rins para o familiar?

Reagem na grande maioria das vezes com o intuito de serem doadores no momento em que se cogita essa possibilidade. Porém, esse impulso às vezes é contido pela limitação de compatibilidade existente entre os possíveis doadores e receptores.

Então não há sempre a compatibilidade?

Não, nem sempre há compatibilidade entre doador e receptor do órgão. Testes pré-transplante são necessários para selecionar os doadores e receptores para o transplante. É preciso respeitar a compatibilidade do sistema ABTO, assim como nas transfusões sanguíneas, com a finalidade de minimizar as chances de rejeição hiperaguda do órgão. Outros exames que dimensionam a compatibilidade entre pacientes são necessários, como o HLA-human, avaliação da reatividade contra painel no receptor, prova cruzada ou crossmatch do receptor versus o doador.

No caso de transplante com doador falecido, há um banco de dados que contém essas informações do possível doador, e assim é escolhido o candidato mais compatível com o doador, respeitando a lista de espera.

Então nem sempre vale a pena doar um rim a um parente?

Nem sempre vale a pena, devido aos riscos maiores de infecções e morbimortalidade. É preciso pesar o risco e benefício para tomar a decisão.

Como deve se comportar um paciente renal crônico que recebeu um novo rim? Vai poder retomar a vida normalmente, sem restrições?

Após o transplante, apesar das recomendações e exigências médicas, o transplantado pode levar uma vida normal. Para evitar infecções, alguns médicos vão orientar o uso de máscaras de proteção nos primeiros dias após o transplante, restringindo, no início, as visitas de parentes e amigos.

A cada mês, as restrições vão diminuindo e os cuidados são também reduzidos, possibilitando um convívio social pleno e saudável. Mas algumas recomendações precisam ser seguidas em casa: manter-se afastado do contato com pessoas portadoras de enfermidades contagiosas ou de animais, conservar a casa sempre limpa e arejada, especialmente nos banheiros, seguir estritamente a dieta indicada para o seu caso e não consumir alimentos preparados em lugares desconhecidos.

O transplantado terá também de verificar com frequência o controle dos sinais vitais, como pressão arterial, pulso  temperatura, bem como acompanhar o peso, anotando diariamente tudo para conhecimento do médico. Havendo alteração, deve comunicá0lo imediatamente.

Deverá ainda fazer um diário dos líquidos ingeridos e da urina eliminada, pois isso é de vital importância para controle da evolução do transplante. Por fim, é recomendado realizar exercícios físicos, como caminhada ou uso de bicicleta, preferencialmente, sem exceder o recomendado.

Quanto à qualidade de vida, deve usar sempre um protetor solar de alto fator ao sair de casa, assim como bonés, chapéus e roupas que protejam do sol. O transplantado não poderá suspender, sob hipótese alguma, a medicação imunossupressora nem jamais se automedicar. Qualquer sinal ou sintoma diferente do habitual deve ser avisado imediatamente ao médico.

Quantos candidatos a transplante renal tem a CDR de Palmeira dos Índios?

São 63 pacientes, entre 135 pacientes em programa de hemodiálise inscritos como aptos para receber um órgão de doador falecido.

Quantos pacientes da CDR de Palmeira dos Índios já conseguiram um novo rim?

Apenas quatro pacientes.

Quais as principais causas da insuficiência renal crônica na região de Palmeira do Índios?

A hipertensão e o diabetes se dividem entre as principais causas de insuficiência renal crônica, seguidas de causas menos frequentes como glomerulopatias, doenças císticas e doenças autoimunes.

 

 

 

 

 

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