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Dia rim 2019

O Dia Mundial do Rim será celebrado este ano no dia 14 de março e o tema será “Saúde dos rins para todos”. O evento será coordenado, em nível de Brasil, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e terá, em Alagoas, a participação da Clínica de Doenças Renais (CDR).

Desde quando foi iniciado a campanha, em 2006, a CDR se engaja e contribui para divulgar informações relativas à importância da prevenção às doenças renais e orientar a população sobre tratamentos.

O médico nefrologista Omar Monteiro, da CDR, falou sobre o tema escolhido pelas entidades de nefrologia para a celebração da data este ano, cobrou mais ações do poder público para melhoria do atendimento à população e defendeu que se busque não apenas a saúde dos rins, mas de todo o corpo.

O que levou as entidades da nefrologia à escolha deste tema?

 A Doença Renal Crônica (DRC) e a Injuria Renal Aguda (IRA) vêm aumentando consideravelmente no mundo todo. São patologias com taxas crescentes de mobi-mortalidade. 

Estima-se que haja atualmente no mundo em torno de 850 milhões de pessoas com algum grau de doença renal, que provoca cerca  2,4 milhões de mortes por ano. O tema, este ano, vem para alertar sobre a já elevada e crescente presença de doenças renais em todo o mundo e a necessidade de estratégias para a prevenção e o tratamento precoce.

Como seria possível que todos tenham os rins saudáveis?

A questão não é como ter um rim saudável... eu não sou um rim... você não é um rim. Então a questão não é focar exclusivamente no rim, mas sim no corpo todo. O que devemos fazer é incentivar e adotar estilos de vida saudáveis, como praticar exercícios regularmente, dieta saudável, combater a obesidade, o tabagismo, drogas ilícitas e o consumo excessivo de álcool, por exemplo.

Para os que sofrem de hipertensão e/ou diabetes, é preciso um controle rigoroso dos níveis pressórico e glicêmico, evitar a automedicação, em especial, o uso abusivo de anti-inflamatórios. Enfim, a saúde dos rins é uma consequência da saúde do corpo!

Qual o papel dos governos para isso? O que está sendo feito?

Quando o objetivo é atingir uma grande parcela da população, e porque não dizer, toda a população, o governo assume um papel de destaque.

A meu ver, a ideia principal é promover, de forma universal e igualitária, o acesso a informação, diagnóstico e tratamento das doenças renais a todas as classes sociais.  Infelizmente, vejo que o poder publico faz bem menos do que o necessário, e em todos os níveis.

Desde a dificuldade no acesso aos serviços básicos de saúde, como consultas, exames simples de creatinina e sumário de urina, medicações para hipertensão, diabetes, colesterol etc., passando pela dificuldade no seguimento adequado, e em tempo hábil, com profissionais especializados, como por exemplo nefrologistas, endocrinologistas, cirurgiões vasculares, nutricionistas, até o acesso aos serviços avançados -diálise e transplante. 

Obviamente que essas dificuldades tornam-se um desafio ainda maior nas camadas mais pobres da população. 

Por que o número de transplante renal ainda é insuficiente para atender a demanda?

Dentre as Terapias Renais Substitutivas (TRS) para os paciente com DRC em estágio avançado, o transplante é considerado a melhor delas. Comparado com as outras TRS, ele proporciona uma melhor qualidade de vida ao paciente, menor taxa de morbimortalidade e com melhor relação custo-benefício.

Porém, realizar um transplante não é simples. Exige a combinação de diversos fatores, como uma politica voltada para fomentar a doação, captação e distribuição dos órgãos até equipes altamente especializadas e infraestrutura compatível para conduzir adequadamente o processo, do início até todo o acompanhamento do paciente transplantado.

Somado a essa logística complexa, questões culturais e religiosas - as quais respeito e acho válidas para quem as seguem -, reduzem a quantidade de doação.

No entanto, quero frisar que, em todo o mundo, o número de pessoas que entram em diálise é maior do que o número de pessoas que saem dela pelo transplante. Por isso, o foco deve estar voltado para a prevenção e o tratamento precoce.

Há em Alagoas alguma campanha por aumento de doação de órgãos?

Na realidade, campanhas para conscientização sobre a doação de órgãos, com ações de marketing - propagandas, panfletagens etc., são realizadas em setembro. Mas é no trabalho diário, principalmente no Hospital Geral do Estado que a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) vem elevando a quantidade de doadores em Alagoas.

Por que o número de casos de insuficiência renal crônica continua a aumentar?

Devido a diversos fatores: envelhecimento da população, aumento da prevalência de hipertensos, diabéticos e obesidade, sedentarismo, dieta de má qualidade e uso indiscriminado de medicações.

Quais as recomendações para manter os rins saudáveis?

Como disse antes, manter os rins saudáveis passa por manter o corpo com saúde. Adotar um estilo de vida saudável, com dieta balanceada, atividade física regular, ingerir água com frequência, evitar sobrepeso e a obesidade, boa qualidade de sono, evitar consumo excessivo de álcool, não fumar, não se automedicar etc. 

Para as pessoas que já possuem algum grau de comprometimento renal ou que tenham maior risco de desenvolver doenças renais -idosos, hipertensos, diabéticos, obesos e pessoas com história familiar de doenças renais - devem ter acompanhamento médico regular, com controle rigoroso do peso, da pressão arterial e da glicemia, além de periodicamente fazer exames de função renal e sumário de urina. E, quando necessário, ser encaminhado, precocemente, ao nefrologista.

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